Se você juntar água e óleo…

Eu sei, a gente aprendeu desde criancinha que água e óleo não se misturam. Mas imagine por um segundo que você colocou estes dois elementos em uma garrafa transparente e agitou bastante!

Assim é a minha mente em relação à mistura entre teologia e psicologia. Sim, são métodos diferentes cujos limites precisam estar claros para que não falte ética na prática profissional. Mas do ponto de vista do observador (eu), as camadas se interpõe.

Ora se destacam os aspectos simbólicos, narrativos, transcendentes; ora aparecem os aspectos comportamentais, contingenciais, materiais. Revelação e método científico nem sempre se contrapõe, na verdade formam juntos uma sinfonia belíssima. Quem tem ouvidos, ouça.

Fazer teologia baseada em evidências seria reduzir Deus àquilo que se pode medir e compreender. Fazer psicologia à luz de uma revelação divina seria abrir uma imensa margem para interpretações pessoais sem o rigor técnico que a categoriza como ciência e profissão. Água e óleo.

Teologia é teologia, psicologia é psicologia. Cada uma é uma lente, uma para miopia, outra para hipermetropia. Uma lente aproxima nossa visão daquele que é Abscôndito.

Outra lente nos distancia o suficiente do nosso “próximo”, a fim de que a análise e as intervenções permaneçam estritamente técnicas (sem perder o vínculo, claro).

Quanto a mim? Eu fico com essa agintação mental. Eu uso óculos com as lentes sobrepostas. Eu vejo o Totalmente Outro naqueles que foram criados conforme sua Imagem e segundo sua Semelhança.

E, em conformidade ao art. 2º do Código de Ética do Conselho Federal de Psicologia, não pretendo “induzir a convicções […] religiosas”, e muito menos estou aqui em “exercício de suas funções profissionais”.

Aqui eu registro minhas ideias e pensamentos. Afinal, ser psicólogo não é tudo o que eu sou. Eu sou essa mistura, e este é meu blog pessoal.